LINDE - Cidade Especular


Túlio Pinto Nadir #8


Exposição ‘Linde – Cidade Especular’ reúne artistas do Uruguai, Argentina e Brasil.

Numa promoção da Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Instituto Estadual de Artes Visuais - IEAVi e Museu Arte Contemporânea RS (MACRS) e do Espacio de Arte Contemporáneo do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai, a exposição “LINDE – Cidade Especular”, tem abertura no dia 19 de agosto (terça), às 19h, na Galeria Xico Stockinger (6º andar da Casa de Cultura Mário Quintana/CCMQ). 

A coletiva, com curadoria da Ío, reúne artistas do Uruguai, Argentina e Brasil e visa especular como indivíduos das três nações contíguas criam, dentro da complexidade de uma cidade e de suas poéticas, estratégias de individuação; e também como narrativas pessoais se inserem e constroem nossa concepção e ação no mundo que nos cerca. No dia 20 (quarta), no mesmo horário e local, será realizada uma palestra com artistas, curadores os diretores das instituições envolvidas, sobre o conceito curatorial de Linde e as experiências de trocas entre os artistas.

O termo LINDE é compartilhado pelos idiomas espanhol e português, cujo significado remete a uma linha ou ponto, real ou imaginário, que marca a separação entre duas coisas, em especial entre dois territórios. A mostra é composta por fotografias, esculturas, vídeos, instalações, objetos e web art, tendo surgido na residência Sala Taller III, realizada no Espacio de Arte Contemporáneo (EAC), em Montevidéu/ Uruguai, em 2013. A primeira edição internacional do projeto contou a participação dos artistas Julia Masvernat, Juan Gugger e Leonello Zambón, da Argentina; Túlio Pinto e Ío - duo formado por Laura Cattani e Munir Klamt- do Brasil; além da uruguaia Magela Ferrero. 

Esse grupo buscou expandir seu processo criativo por meio de uma rede de trocas internacionais, onde cada artista convidou outro de um dos países envolvidos. Assim, passou a existir o projeto Linde, composto por três exposições: Argentina, Uruguai e Brasil, totalizando 13 artistas dos respectivos países. A primeira etapa se realiza em Porto Alegre, com o título “LINDE – Cidade Especular”, sob a curadoria da Ío, e conta, além dos sete artistas do grupo original, com quatro convidados do Brasil, Argentina e Uruguai. São eles: Felipe Moraes e Nazareno Rodrigues (Brasil), Ignácio Rodriguez (Uruguai) e Luciana Lamothe (Argentina).

Artistas: 

Túlio Pinto – Brasil
Brasília,1974. Formado em Artes Visuais com habilitação em Escultura pela UFRGS (2009). Vive e trabalha em Porto Alegre, onde é cofundador e integrante do Atelier Subterrânea. 

Ío Laura Cattani e Munir Klamt) – Brasil (curadores)
Laura Cattani (Les Lilas/França, 1980), tem formação multidisciplinar, graduada em Artes Cênicas, mestre e doutoranda em Poéticas Visuais (UFRGS). 
Munir Klamt (Porto Alegre/RS, 1970), é graduado em Artes Plásticas, mestre e doutorando em Poéticas Visuais (UFRGS). Tem formação complementar com Maria Helena Bernardes e Jailton Moreira, além de participações em seminários diversos.
Ambos assinam seus trabalhos como Ío. Sua produção abarca diferentes linguagens e suportes, como vídeo, fotografia, esculturas e instalações. Realizaram diversos projetos de artes visuais e multimídia. 

Felippe Moraes – Brasil (convidado)
Rio de Janeiro, 1988. É mestre em Fine Art pela The University of Northampton. Suas principais obras individuais foram “Ordem”, na Baró Galeria (2014), “Construção”, no Paço das Artes em São Paulo (2011) e “Matter”, na MK Gallery, no Reino Unido (2012). Esteve na mostra “Repentista #1” na Nosco Gallery, em Londres e realizou residência artística na Baró Galeria. 

Nazareno Rodrigues – Brasil (convidado)
São Paulo, 1967. Desenhista, escultor e artista multimídia. Nascido em São Paulo, passou a infância e adolescência em Fortaleza/Ceará. Em 1987 mudou-se para Brasília, onde concluiu bacharelado em artes visuais pela Universidade de Brasília (UnB), em 1998. Publicou de forma independente, em 2004, o livro “São as Coisas que Você Não Vê que nos Separam”.

Magela Ferrero – Uruguai
Montevidéu, 1966, Magela iniciou seus estudos sobre fotografia em 1987, em um centro cultural público de Montevidéu. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, como revistas e jornais como colaboradora, além de desenvolver trabalhos como ilustradora para capas de discos, livros e enciclopédias.

Ignacio Rodríguez – Uruguai (convidado)
Montevidéu, 1983. Bacharel em Artes Visuais pela UDELAR y Tec. Gestión Cultural de Claeh. Especializado em fotografía e novos meios, realiza estudos na área na Universidade de Santa Maria/RS. Atualmente integra o projeto “Continuum: el cuerpo como territorio del arte”, desenvolvido em vários países da América Latina. Participa de projetos de arte política na Colômbia. Dirige o Centro Cultural Kavlin, em Punta del Este. Docente responsável do Atelier de Fotografia da Escuela Municipal de Artes Visuales de Maldonado. 

Juan Gugger – Argentina
Córdoba, 1986. Estuda e pesquisa na Universidad Nacional de Córdoba. Trabalhou com artistas como Ricardo Basbaum e Túlio Pinto (Brasil), Gustavo Artigas (México) e Praneet Soi (Holanda). Entre 2011/12 foi bolsista da Fundación START, para participar do programa de artistas del Centro de Investigaciones Artísticas, em Buenos Aires. 

Julia Masvernat – Argentina
Buenos Aires, 1973. Artista plástica e gráfica. Participou do programa de bolsas para artistas Rojas-UBA-Kuitca, no projeto TRAMA, de cooperação e confrontação entre artistas da Plataforma LIPAC (Laboratório de Investigações e Práticas Artísticas Contemporâneas). Integrou o coletivo Terraza, el TPS (Taller Popular de Serigrafía) e o Laboratório Audiovisual Comunitario (LAC). Integra o grupo Nocturama. É docente no projeto artístico e social Yo No Fui. 

Leonello Zambón (Sonido Cinico)– Argentina
Dedica-se de forma independente ao vídeo e à música experimental, além da docência em Arquitetura. Em 2001 participou do programa TRAMA de cooperação e confrontação entre artistas e em 2005 do Atelier de Arte Interativo da Fundação Telefónica. Começou a trabalhar em estruturas audiovisuais a partir da repetição, superposição e serialização de breves fragmentos de material-video, tentando fazer do som a base de um universo imaginário e investigando a intersecção de múltiplas disciplinas como, por exemplo, a superposição de imagem-movimento e arquitetura.

Luciana Lamothe (Luciana Lamot He) – Argentina (convidada)
Mercedes, 1975. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes Prilidiano Pueyrredon. Em 2006, fez residencia em Skowhegan, USA. Desde 2003 participa de inúmeras mostras na Argentina e exterior.

Serviço:

Abertura da exposição: Dia 19 de agosto (terça-feira), às 19h. 
Local: Galerica Xico Stockinger – 6º andar CCMQ (Andradas, 736). 
Visitação: De 20 de agosto a 19 de outubro. Segundas, das 14h às 19h; de terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h.

Palestra com artistas e curadores: 
Dia: 20 de agosto (quarta-feira), às 19h. 
Local: Galeria Xico Stockinger – 6º andar CCMQ (Andradas, 736). 

Informações: 
Instituto Estadual de Artes Visuais – IEAVi:
ieavi@sedac.rs.gov.br / 51.3216-9913
Vera Pellin – Diretora do IEAVi:
vera-pellin@sedac.rs.gov.br / 51.9952-6192

Artistas:
lbcattani@gmail.com/munirklamt@gmail.com/ (51) 3012-5943/ 9363-8699/ 9352-3309.

Todas as atividades têm ENTRADA FRANCA.


LINDE - CIDADE ESPECULAR

Ítalo Calvino e Wittgenstein aproximam a cidade à linguagem, como se ambas fossem dois dispositivos que, em seu contínuo processo de expansão e adaptação, tendem ao infinito. Um infinito de ordem distinta à dos números cardinais, um infinito com as mesmas regras do sonho. A cidade de Porto Alegre, com milhares de ruas e 1.467.823 habitantes, e a língua portuguesa, com mais de 800 mil palavras, permanecerão individualmente inacessíveis, como um enigma. 

Talvez seja inevitável a vertigem, ao imaginar que a cidade e a língua que nos envolvem e nos constituem contém outras, sobrepostas e em transformação, que pertencem a cada indivíduo que as compõe. Uma imagem possível seria a de um labirinto de espelhos que fosse alterado, em sua estrutura, pelo movimento de quem o explora: uma Cidade Especular. 

Em português, especular é tanto a propriedade reflexiva do espelho, quanto o ato de criar hipóteses, pesquisar ou conjeturar – e é isto que a exposição que compõe a primeira parte do projeto Linde, em Porto Alegre, propõe. Especular sobre como indivíduos de três nações contíguas, a partir de seus pontos de convergência e suas dessemelhanças criam, dentro da complexidade de uma cidade e de suas poéticas, estratégias de individuação; como narrativas pessoais se inserem e constroem nossa concepção e ação no universo que nos cerca. Especular, sobretudo, se a arte é de certa forma também um instrumento reflexivo, como uma sinédoque do mundo.

Ío
Curadoria