MACRS: UM MUSEU ABERTO



Público presente na abertura da exposição no MAVRS em Passo Fundo.


Fazer museus não é uma missão individual, mesmo que existam muitos museus onde trabalhe apenas uma pessoa, fazer museus e fazer o MACRS é um trabalho comunitário. A prova disto é a exposição A MEDIDA DO GESTO – UM PANORAMA DO ACERVO MACRS, recém-inaugurada no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, em Passo Fundo, uma realização conjunta entre a Vice-reitoria de Extensão em Assuntos Comunitários da Universidade de Passo Fundo, o Sistema FECOMERCIO RS/SESC e a Secretaria de Estado da Cultura.

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O escritor Luís Fernando Veríssimo em seu artigo “Degenerados” (Zero Hora, 11/11/2013), conta-nos sobre a descoberta de um apartamento na Alemanha, com mais de 1.400 quadros de mestres europeus desaparecidos durante a Segunda Guerra Mundial, produto da pilhagem de museus e coleções privadas dos territórios invadidos pelos nazistas na guerra. Ao final da sua crônica sentencia: 

“Arte é difícil de matar. Inclusive a ‘degenerada’”.

Refletindo sobre o tema, lembramos quando encontramos o MACRS em janeiro de 2011, um Museu fechado, com um acervo degradado e escondido, porém não morto. Hoje, após quase três anos, mais de 55.000 pessoas registraram presença nas 51 exposições já realizadas com o apoio do comitê de acervo e curadoria do MACRS e também de curadores e artistas convidados. Destas exposições participaram 758 artistas que doaram mais de 536 obras de arte contemporânea entre fotografias, vídeos, gravuras, pinturas, desenhos, esculturas e instalações. Somando até agora 766 obras de arte na coleção do Museu, em contraste com as 230 encontradas em 2011, e que em maio de 2014 ganharão mais espaço de exposição na nova sede do Museu junto ao projeto da sede no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Campus Porto Alegre. Este crescimento de cerca de 300% do acervo do MACRS, representa muito mais que a economia investe no orçamento para cultura (ou de quantos governos ouvimos dizer que inauguram museus ou compram obras de arte?). Porém ainda acreditamos que país rico é um país sem pobreza, mas com cultura.

Portanto, Museu é difícil de matar, inclusive com pouco orçamento, porque neles vivem os artistas através das suas obras, que são em última instância suas vidas, seus olhares e expressões sobre o mundo em que vivemos. Assim, nosso compromisso, enquanto profissionais no campo artístico é cuidar destas vidas, estuda-las, difundi-las, e, enquanto cidadãos, buscar este conhecimento que está em nossos museus, visita-los mais, inclui-los não apenas nas nossas agendas, mas para sempre em nossas vidas, levar aos museus os filhos, amigos, amores, pais, avós... Pois precisamos cada vez mais dos museus para entender o mundo, e a arte contemporânea nos possibilita esta abertura para o novo, afinal não somos mais os mesmos de ontem, tampouco a arte. Então porque ficar parado vendo sempre as mesmas coisas? Precisamos mudar nosso olhar, para ver mais e melhor.

Este projeto de itinerância com um panorama do acervo do Museu, que se encaminha em Passo Fundo para o fechamento da sua primeira etapa em 2013, passou antes pelas cidades de Pelotas e Bagé. Em todos os lugares o MACRS foi recebido como um museu necessário. Pudéramos ter MAC em todas as cidades, porque como já foi dito, também necessitamos da arte contemporânea para viver. Fizemos este percurso com um orçamento modesto, b=no entanto pelo caminho mais de 3000 pessoas conheceram o acervo, receberam gratuitamente o catálogo das obras que também apresenta o projeto acadêmico, coordenado pela professora Ana Maria Albani de Carvalho, do Instituto de Artes da UFRGS, que desenvolveu com os alunos do Laboratório de Museografia esta curadoria. Este público também participou das palestras com a curadora e os artistas da exposição e das oficinas pedagógicas ministradas pela arte-educadora Alice Bemvenuti.


Contudo pudemos sentir que ao chegar a Passo Fundo, na primeira vez que o acervo do MACRS volta para um Museu, neste caso o MAVRS, que um museu se faz mesmo com sua comunidade. Agradecemos a Vice-reitoria de Extensão em Assuntos Comunitários, a diretora do MAVRS Tania Aimi, a coordenadora pedagógica do Museu Luciane Campana e a todos os estagiários, e a equipe regional do SESC, na pessoa do seu gerente de cultura no RS, Silvio Bento, pelo excepcional envolvimento e atenção a exposição A MEDIDO DO GESTO em todos seus aspectos. Neste desfecho do projeto em 2013 vocês renovaram o desejo de continuar esta itinerância em 2014 para outras cidades do estado como Montenegro, Santa Maria e Lajeado. Para a equipe do MACRS foi um privilégio realizar esta difusão do acervo do Museu pelo RS e esperamos que o público visite e conheça esta coleção de arte, que é nosso patrimônio artístico, até o dia 17 de dezembro no MAVRS.



André Venzon
Diretor MACRS