Ricardo Garlet, Globo, óleo sobre tela, 80x80cm, 2012.


A INTERAÇÃO ENTRE PINTURA E FOTOGRAFIA
NA CONSTRUÇÃO VISUAL DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

O MACRS continua sua temporada artística com exposições, encontros com curadores e artistas, lançamento de livro, Semana Brasileira de Museus, divulgação das doações recentes e gastronomia inspirada na arte contemporânea. 
Venha ser contemporâneo!

Dia 13 de abril, sábado, às 19h, o Museu de Arte Contemporânea do RS renova sua programação de exposições 2013 com inaugurações em ambas galerias do MACRS (Rua dos Andradas, 736, 6º andar – CCMQ). A exposição individual RITMO E GESTO, do artista gaúcho radicado em São Paulo, ROGÉRIO MEDEIROS, tem curadoria do jornalista e fotógrafo, EDER CHIODETTO, apresentando duas séries de fotografias na galeria Sotero Cosme/MACRS. Já a exposição DE OBJETOS À PERSONAGENS, do jovem artista RICARDO GARLET, tem curadoria do professor e membro do comitê de acervo e curadoria do Museu, PAULO GOMES, apresentando dez pinturas em grandes dimensões na galeria Xico Stockinger/MACRS. Haverá um encontro dos artistas e curadores com o público no Espaço Vasco Prado (CCMQ/6º andar) antes da abertura, no dia 13/04, das 17h às 18h, quando também será lançado o livro RITMO e GESTO que acompanha a mostra de Rogério Medeiros. O MACRS também divulgará sua programação na 11ª SEMANA BRASILEIRA DE MUSEUS/IBRAM, apresentará um dos sete desenhos de grandes proporções doados pela artista Teresa Poester, e festejará a criativa parceria através do Grupo de Trabalho RS MAIS GRASTRONOMIA que realizará, com diferentes escolas gastronômicas do Estado, coquetéis inspirados nas obras de arte em exposição e do acervo. O primeiro coquetel é assinado pela equipe da Cozinha do Palácio Piratini.

As exposições que o MACRS inaugura permitem ao público abordar as relações entre a pintura e a fotografia na arte contemporânea. A fotografia, como comprova o trabalho de Rogério Medeiros, já alcançou o estatuto de obra de arte desde a segunda metade do século XIX, com o movimento conhecido por “Pictorialismo”, que manifestava o desejo de plasticidade artística da imagem captada, separada do mero registro da realidade. Segundo o curador Eder Chiodetto, sobre Ritmo e Gesto: “...nos conduz a uma aventura sensorial pautada por certo transbordamento da percepção visual, tramada de forma meticulosa nesta fotografia híbrida de técnicas, cultura e subjetividade”. De outro lado, nas telas de Ricardo Garlet, encontramos a permanência do domínio técnico da pintura à óleo na forma de naturezas-mortas contemporâneas,  conforme define o curador Paulo Gomes o trabalho deste jovem pintor. Assim, sua obra aparece em contraste com a fotografia, pois pereniza uma prática ancestral e de profundas implicações espaço-temporais, exigindo do artista não só domínio técnico, mas também um tempo estendido de ação, característica pouco adotada na nossa época, de urgência e pressa”.

Saiba mais:

Rogério Medeiros, "Bosque", impressão jato de tinta sobre papel algodão, 53x120cm, 2006.



O gesto do artista Rogério Medeiros

O atual panorama da arte contemporânea sugere menos crenças cegas a modismos e maior interação entre meios. Artistas de toda ordem se esmeram em tornar cada vez mais tênues as fronteiras entre técnicas, suportes e linguagens. O hibridismo, ou seja, a possibilidade de criar pontos de contatos vindos do cruzamento entre várias esferas da arte se tornou um específico e renovado espaço poético. Em Ritmo e Gesto, Rogério Medeiros tensiona ao máximo a relação entre o pictórico e o fotográfico, articulando prática poética na qual os conceitos se opõem, se contaminam e se mesclam com envergadura e vigor para criar uma obra limítrofe entre pintura, fotografia e gravura. Passado cerca de um século do auge do Pictorialismo, Medeiros retoma certas discussões da época para atualizá-las em face do estado atual da arte e da possibilidade de interferir na nossa percepção visual contemporânea de forma pontual. Diferente de outrora, porém, em Ritmo e Gesto a fotografia não revisita as especificidades da pintura para se legitimar como expressão artística, questão essa já superada há muito, mas sim para criar uma tensão, um hiato, um inesperado flanco descoberto no intervalo entre as duas formas de expressão. A fotografia neste estado de suspensão das coisas ativa o seu dom de iludir e de transfigurar o signo para demonstrar, a golpes de luz, que a experiência do olhar pode ser infinitamente mais ousada e estimulante do que o mundo das aparências normalmente nos faz perceber. O gesto do artista como agente transformador. Medeiros apresenta em paralelo, no MACRS, parte da série "Entre a Terra e o Mar" (1998-2002), que precedeu Ritmo e Gesto. A coerência de sua investigação pelas filigranas da textura, do desenho e da composição, podemos atestar, já se encontravam em pleno processo de maturação.

Eder Chiodetto
Jornalista, fotógrafo, curador do Clube de Fotografia do MAM, realizou recentemente a curadoria da exposição “Coleção Itaú de Fotografia Brasileira” no Instituto Tomie Ohtake.
Obs.: O curador estará presente para entrevistas presenciais apenas na abertura da exposição.


Ricardo Garlet, "Cenário" da Série Cena, óleo sobre tela, 2009.


A pintura de Ricardo Garlet

Talentoso, jovem, arrojado e comprometido. Com exceção do primeiro, não estou certo que esses sejam indicativos do valor da arte ou de um artista. A pintura de Ricardo Garlet possui estas quatro características como indicativos exponenciais: (1) o seu talento é inquestionável, visível na qualidade de sua invenção, no domínio técnico da pintura a óleo e nas ressonâncias morais de sua obra; (2) a juventude está não somente na idade do artista (que é efetivamente jovem), mas na manipulação de um referencial contemporâneo, composto pela miríade de objetos banais e desimportantes que povoam o mundo, e que ele articula nas suas imagens prenhes de significados; (3) o arrojo, por sua vez, está em três elementos: a) na dedicação à técnica da pintura a óleo, uma prática ancestral e de profundas implicações espaço-temporais, pois exige do artista não só domínio técnico, mas também um tempo estendido de ação, característica pouco adotada na nossa época, de urgência e pressa; b) na adoção do gênero natureza-morta, também de longa tradição, desde as vanitas morais da pintura barroca até os exercícios formais dos modernistas, que ele atualiza em imagens de impactante contemporaneidade; e, finalmente, na c) recorrência às imagens obtidas por meios mecânicos, isto é, as fotografias que servem de base à construção de suas obras, um exercício profundo e erudito, tanto na sua prática, quanto na sua finalidade que vai além da obtenção de uma imagem. Por fim, (4), o comprometimento, que está na efetiva adoção da profissão de artista-pintor, atividade eleita e comprovada como prática diária, infensa às dificuldades e às expectativas de resultados imediatos, ou seja, a consciência de ter adotado uma profissão que exige vocação e fé inquebrantáveis, visto que muitas são as dificuldades materiais e inúmeras as tentações morais. Ao indicar que Ricardo Garlet é talentoso, jovem, arrojado e comprometido, estou afirmando a certeza, resultado da convivência e familiaridade com sua prática profissional, da inquestionável qualidade e importância destas pinturas de naturezas-mortas, podemos mesmo dizer vanitas contemporâneas: elas são ótima pintura, importantes reflexões morais e excepcionais objetos de fruição.

                                                                                                              Paulo Gomes
Artista, professor e membro do comitê de acervo e curadoria do MACRS.


SERVIÇO:

EXPOSIÇÕES

·         RITMO E GESTO de ROGÉRIO MEDEIROS – Curadoria: Eder Chiodetto /
Museu de Arte Contemporânea do RS - galeria Sotero Cosme

·         DE OBJETOS À PERSONAGENS de RICARDO GARLET – Curadoria de Paulo Gomes / Museu de Arte Contemporânea do RS – galeria Xico Stockinger

INAUGURAÇÃO DIA 13 DE ABRIL DE 2013 ÀS 19h.

VISITAÇÃO: Até 19 de maio de 2013, segunda das 14h às 19h, de terça à sexta das 10h às 19h, sábado, domingo e feriados das 12h às 19h.

ONDE: Museu de Arte Contemporânea do RS, Rua dos Andradas, 736, 6º andar, Casa de Cultura Mario Quintana, Centro Histórico, Porto Alegre/RS, CEP 90020-004.

ENTRADA FRANCA.

CONTATO:

TEL +55 51 3221 5900
E-MAIL: mac@sedac.rs.gov.br
SITE: www.macrs.blogspot.com
FACE: www.facebook.com/contemporanears

FOTOS: Divulgação/MACRS

·     ENCONTRO DOS ARTISTAS E CURADORES COM O PÚBLICO e LANÇAMENTO DO LIVRO RITMO E GESTO de ROGÉRIO MEDEIROS

Dia 13 de abril de 2013, das 17h às 18h, no Espaço Vasco Prado do MACRS, 6º andar/CCMQ. (Entrada Franca)

·         PROGRAMAÇÃO DO MACRS NA 11ª SEMANA BRASILEIRA DE MUSEUS:

DIA 11/05 DAS 14h ÀS 18h/SEMINÁRIO:

“VERSÕES, PONTOS DE VISTA E POSSIBILIDADES DA ARTE NO MUSEU” 

Visa debater as relações entre a arte contemporânea e a educação no Museu, com coordenação da Me. Alice Bemvenuti e palestrantes convidados.

DIA 18/05 DAS 10h ÀS 18h/ENCONTRO:

“artecontemporanears.doc”

Consiste no primeiro de uma série de encontros e entrevistas com os ex-diretores, artistas e amigos do MACRS que fizeram a história do Museu ao longo desses 21 anos, para a realização de um filme documentário.

INSCRIÇÕES: através do e-mail mac@sedac.rs.gov.br ou pelo telefone 3221 5900.

Emissão de certificado ao final dos eventos.