BORDE SUR | Artistas Contemporáneos Uruguayos no MACRS

O Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai convidam para a inauguração da exposição BORDE SUR, com a presença do Exmo. Sr. Presidente da República Oriental do Uruguai José Mujica, ocasião em que serão apresentadas obras de 57 artistas uruguaios com o objetivo de gerar focos de visibilidade para produção artística contemporânea deste país no mundo.

Conforme a curadora Jacqueline Lacasa, as fronteiras são percebidas como construções artificiais ou naturais, que operam na maioria das vezes para o indivíduo, como diques que obstruem a capacidade de explorar e se posicionar em um novo lugar ou preservando sua situação. Daí a exposição que se propõe, explore um território que se denominou “Borde Sur” e que habilita a extrapolar estes conteúdos a outros espaços de luz, de consciência artística, e de pensamento evolutivo.

Em tempos de Bienal Mercosul o MACRS sente-se honrado em divulgar e valorizar a produção artística contemporânea uruguaia, múltipla e abrangente, recebendo esta exposição que representa acima de tudo a abertura de um espaço sem fronteiras para o intercâmbio cultural com este país vizinho.

BORDE SUR ― Artistas Contemporâneos Uruguaios

Curadoria Jacqueline Lacasa

Abertura dia 09 de novembro de 2011 às 19h

Encontro com a curadora dia 07 de novembro às 14h.

Visitação de 09 novembro à 04 de dezembro de 2011, segunda das 14h às 21h, de terça à sexta das 9h às 21h, sábados, domingos e feriados das 12h às 21h.

Museu de Arte Contemporânea do RS, na Casa de Cultura Mario Quintana - Rua Andradas, 736, 6° andar - Bairro Centro Histórico

Imagens para divulgação disponíveis no catálogo virtual da exposição:

http://pt.scribd.com/doc/15756922/catalogo-borde-sur

Para saber mais sobre Borde Sur:

A possibilidade de conhecer o lugar que a fronteira ocupa como um elemento na produção uruguaia confronta cada artista com a noção de limite e suas conseqüências. Nesta situação, as fronteiras físicas, psicológicas e afetivas ocupam uma classe similar. Estas atuam como vias pelas quais se conhece a perspectiva que os artistas têm sobre o lugar da sua criação no campo artístico. A contemporaneidade revela diferentes acessos a conceitos que se vinculam com bordas, limites e fronteiras.

Borde Sur surge como projeto em meio a um trabalho direto com a produção de arte contemporânea no Uruguai, atualmente onde as tendências e pesquisas desenvolvidas nessa área, mostram novos desafios. Um essencial e necessário Impulsionar o desaparecimento do quietismo em relação à difusão da produção artística, gerando novas rotas que produzam zonas de encontro e produtividade crítica.

Os cinqüenta e sete artistas convocados desenvolvem seus projetos com linguagens artísticas que nos permitem ver, de maneira eclética, como a arte contemporânea opera no Uruguai, cada uma destas peças servem para nos aproximar dos artistas, suas obras e a contextualização da informação das estéticas que se projetam no nosso país.

Diante da proposta de avançar no rizoma do campo da arte, o desafio está em permitir que a arte funcione cada vez mais como agente catalisador do pensamento e da ação. Isto daria como resultado o avanço e a aceleração necessários para encontrar sintonias e posicionar o corpo de criação no seu exterior, sem deixar de lado seu vinco interno, a saber, a liberdade que é necessária para avaliar uma estratégia criativa da arte atual.

Os processos devem ser medidos nas categorias que a arte produz em relação aos sintomas que emergem de diferentes núcleos da problemática, do que pode e deve ser arte contemporânea no nosso meio. Sem dúvida esta possibilidade brinda um espaço de conflito que se situa no primeiro lugar nas interseções que oferecem as linhas limítrofes que acompanham a imagem-movimento e a circulação dos conceitos e objetos da arte. Neste projeto, o objetivo está na configuração de um território móvel, pleno de sentidos, de vivências, de materialidade para a sobrevivência e expansão das obras.

Nesses extremos móveis, alguns artistas vinculam sua obra a espaços físicos e os interceptam e intervêm com ferramentas de outros campos de produção científica, como no caso dos artistas que trabalharam com temáticas relativas ao Rio da Prata.

Em outra linha de trabalho, artistas utilizam seu corpo como território, provocando uma reconfiguração do espaço e o imediato deslocamento do que era uma imagem cotidiana.

Outros aspectos surgidos nesta mostra estão vinculados com a ação do discurso artístico, que sinaliza a necessidade de uma mudança substancial, potencializando o espírito critico com respeito à instituição artística.

Por sua vez, as políticas emocionais na apresentação de diversas obras se manifestam em objetos ou imagens que referem diretamente a um controle do destino na evolução da vida do artista e a possibilidade deste, de dirigi-lo também como metáfora da afetividade.

Nesse sentido as fronteiras, como construções artificiais ou naturais, operam na maioria das vezes para o indivíduo, como diques que obstruem a capacidade de explorar e se posicionar em um novo lugar ou preservando sua situação. Daí a exposição que se propõe, explore um território que se denominou “Borde Sur” e que habilita a extrapolar estes conteúdos a outros espaços de luz, de consciência artística, de pensamento evolutivo. Isto não se constrói com mecanismos que enrijeçam os processos dialógicos ou operem em um só sentido, mas sim devem ter múltiplos pontos de fuga, transbordamentos e deságües que conceitualmente comovam, provocando um novo sentido no discurso do Outro. Esta mostra se concebe através da transformação que começou a gestar-se há mais de três décadas no campo da arte contemporânea uruguaia. A singularidade dos artistas expositores se manifesta, não somente do ponto de vista da qualidade de suas trajetórias e obras, como na possibilidade de conceitualizar uma nova paisagem no intercâmbio dos conteúdos simbólicos de mais de um território de práticas artísticas em comum.

Jacqueline Lacasa

Curadora