Diretor do MAC em entrevista para Zero Hora


Foto de Genaro Joner/ZH

André Venzon foi um dos 139 artistas que participaram, em fevereiro de 2004, da exposição de lançamento do Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Armazém A6 do Cais do Porto. Mais do que uma mostra, o evento foi uma tomada de posse simbólica, um manifesto para exigir que as instituições do Estado finalmente instalassem o MAC em uma sede própria.
Fundada em 1992, nunca teve um espaço para chamar de seu, ocupando esporadicamente salas na Casa de Cultura ou no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Sete anos depois, Venzon, porto-alegrense de 34 anos, bacharel em Artes formado pela UFRGS, é o novo diretor do MAC, e o problema da inexistência oficial de um espaço próprio para a instituição ainda está à espera de solução. Venzon planeja a consolidação do museu no Cais após a revitalização da área.

Cultura – Quais seus planos para o MAC e para consolidá-lo como realidade, uma vez que o museu ainda não tem uma sede física?
André Venzon –
Nossa primeira ação vai ser o recadastramento de todo o acervo. O museu existe mesmo sem uma sede, sem um espaço permanente, porque temos as obras, grande parte delas doadas por artistas. E nós precisamos reconhecer esse acervo. O segundo passo será preencher essa lacuna de duas décadas que o museu não recebeu obras dos artistas contemporâneos do Estado, alguns deles até já foram morar em outros lugares e não temos o registro desses trabalhos na história da arte recente do Estado. E além disso precisamos de toda uma programação, uma ação educativa, sintonizada com os objetivos das instituições que nos são vizinhas, como o Margs ou a instituição principal, o Instituto Estadual de Artes Visuais, para fazer uma expansão para o interior do Estado e fazer o mesmo movimento do Interior para a Capital, ocupando espaços, criando oportunidades através de editais em salas que são públicas, mas também com a produção de projetos que possam divulgar os artistas que já têm um trabalho contemporâneo solidificado. Acho que os artisitas de modo geral esperam essa consolidação do acervo e a construção de um espaço permanente à altura da produção contemporânea do Estado, à altura de um Museu Iberê, que possamos construir um Museu de Arte Contemporânea no cais do porto, como há vários governos está prometido, e que agora com a revitalização do cais eu acredito que se realize.

Cultura – A falta de um espaço físico próprio impediu esse desenvolvimento do museu e criou essa lacuna de duas décadas?
Venzon –
É importante dizer que há três salas atualmente na Casa de Cultura Mario Quintana. Uma delas é especificamente o MAC, onde fica o seu acervo. As outras duas são a Galeria Xico Stockinger e a Galeria Augusto Meyer, onde se desenvolvem exposições temporárias. A gente tem consciência que o principal da arte contemporânea é esse espaço, esse dia-a-dia, então o museu, por meio de parcerias com espaços alternativos e grupos de artistas contemporâneos tem de se fazer mais presente, de “n” maneiras. O Estado, além de adquirir obras, deixou também de fazer uma coisa príncips nessa relação com a produção contemporânea, que é estar atento e apoiar o jovem artista. Então eventos como a Bienal B e espaços como o Subterrânea nos interessam como parceria para estar no cotidiano tanto da produção dos artistas quanto do próprio público, que está frequentando até mais que museus. Esses espaços não são museus mas são espaços de arte contemporâneos. Então o museu também de sair da casa e buscar o reconhecimento de seu público.

Cultura – O senhor falou em sair da casa. O ambiente digital não seria um espaço a ser trabalhado para a exposição do acervo e mesmo a produção de arte, já que a arte digital é uma vertente da produção contemporânea?
Venzon –
Com certeza. Porto Alegre vai receber este ano o Festival de Linguagem Eletrônica no Santander Cultural e nós vamos trabalhar em parcerias com algumas iniciativas durante esse evento. Algumas coisas dependem de reuniões entre nós, os diretores, mas temos, claro, ideias. Sabendo que tem, por exemplo, um prédio no Cais do Porto prometido para isso, convidar artistas para fazer videoprojeções nele. São coisas extremamente possíveis que vemos acontecer no meio contemporâneo em várias cidades do Brasil e que Porto Alegre também está preparada para fazer.

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